Anima pura cuore di fuoco é um pequeno livro sobre a Alexandrina que se lê com grande prazer e proveito. Visualmente, é uma obra-prima: a aguarelista Felicina Sesto devia conhecer bem o pensamento da Beata e executou obra excelente.
Os autores – Chiaffredo e Eugénia Signorile - explicaram assim o seu projecto:
A Alexandrina gostava tanto de flores!
Justa homenagem é pôr em evidência a sua «correspondência com as flores».
O desejo, ou antes, a urgência de gravar no fundo da alma de muitos irmãos algumas atitudes espirituais desta Serva de Deus sugeriu que se extraíssem dos seus escritos algumas frases e que estas fossem ilustradas com desenhos de flores que, impressionando a imaginação do leitor com a sua beleza, fizessem descer ao fundo do seu coração quanto as frases exprimem.
Nasceu assim a Parte I.
A esta segue-se uma Parte II na qual o desenho quer exprimir um momento espiritual da Alexandrina e além disso a sua missão junto das almas.
Aqui as didascálias são dos autores.
Na impossibilidade de mostrar ao menos uma das aguarelas, veja-se este texto de D. Gabriel de Sousa, Abade do Mosteiro de Singeverga, que abre o livro e que aqui dispus em verso livre:
UMA FLOR QUE NÃO SECA
Às vezes, de visita a lugares célebres,
trago entre as folhas do canhenho
a pétala duma flor;
ela seca, perde o aroma,
e só fica a valorizá-la a data que se lhe inscreve.
Fui a Balasar um dia. Voltei uma segunda vez.
E também trouxe de lá,
entre as folhas do Livro de Horas de minha pobre vida,
uma pétala de lembrança.
Mas essa ainda não murchou,
ainda não perdeu o aroma:
a visão duma alma angelical,
através duns olhos de pureza,
como nesta derrancada terra se não encontram.
E, do Calvário da Alexandrina Costa,
foi esta a dolorosa e imaculada lembrança
que me ficou.»
D. Gabriel de Sousa, O.S.B., Abade de Singeverga
José Ferreira