Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

A ALEXANDRINA E A REPÚBLICA

Neste ano do primeiro centenário do regime republicano, com a esquerda no poder, inevitavelmente se dará grande relevo à comemoração da implantação da República, mesmo que a gente não veja que as nações de regime monárquico vivam pior que as que vivem sob regime republicano.

A Alexandrina fala da República ao contar a sua estada na Póvoa de Varzim em criança e toma perante ela uma atitude muito crítica.
Em Cristo Gesù in Alexandrina, vem uma quadra com que, segundo a Deolinda, ela gostava de irritar os guardas. Embora a tradução possa não a devolver com rigor ao português de origem, ei-la:
 
Co’as barbas de Afonso Costa
Nós faremos um pincel
Para limpar as botas
Ao bom rei D. Manuel.
 
Parecerá exagerado o temor que ela mostra uma vez frente aos guardas, mas a GNR, criação do novo regime, deveria simbolizar todas as prepotências que estavam a ser cometidas contra a Igreja: casas religiosas fechadas, bispos exilados, padres perseguidos, edifício religiosos nacionalizados... Na Póvoa, o colégio das Doroteias foi adaptado a quartel, as obras da Basílica do Sagrado Coração de Jesus foram suspensas, religiosos foram humilhados…
 
Depois de umas férias, íamos para a Póvoa de Varzim, eu e a minha irmã; tínhamos quem nos acompanhasse, mas só depois de atravessarmos a freguesia. Íamos pelo caminho-de-ferro e avistámos, ao longe, dois guardas-republicanos. Tivemos medo deles, e refugiámo-nos na volta de um caminho. Como minha irmã levasse um cestinho com linho, eles imaginaram que ela levava fósforos, proibidos naquele tempo (espera-galegos), e perseguiram-nos.
Não fugimos e gritámos muito. Aos nossos gritos acudiram várias pessoas. Já estavam para fazer fogo, quando compreenderam que não éramos portadoras de tal contrabando. Felizmente que, desta vez, escapámos à morte.
 
Se os tempos eram agressivos para a Igreja, compreende-se que os membros desta tivessem particular cuidado em venerar quem pela mesma Igreja sofria.
 
Lembro-me que tinha muito respeito pelos sacerdotes e, quando estava sentada à porta da rua, só ou com minha irmã e primos, levantava-me sempre à sua passagem e eles correspondiam, tirando o chapéu, se era de longe, ou dando-me a bênção, se passavam junto de mim.
Observei, algumas vezes, que várias pessoas reparavam nisto, e eu gostava e até chegava a sentar-me propositadamente para ter ocasião de me levantar, no momento em que passavam por mim, só para ter o gosto de mostrar a minha dedicação e respeito pelos ministros do Senhor.
 
O bispo que em Vila do Conde a crismou fê-lo no exílio, pois era bispo de Algarve;o de Braga, que também estava no exílio (como todos os outros) virá mesmo a falecer no exílio, exactamente em Vila do Conde, que é distrito do Porto.
O futuro P.e Pinho, esse, jovem seminarista, tivera de fugir para o estrangeiro.
A República não tem muito que celebrar.
Publicado por Alexandrina de Balasar às 17:44

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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

O ESTILO DA BEATA ALEXANDRINA

Como professor de língua e literatura portuguesas, desde há muito que nos interessamos pela estilo da Beata Alexandrina: pela perfeição das suas cartas e das narrativas dos êxtases, pelos seus textos às vezes altamente poéticos, pelas áreas da realidade onde vai buscar as imagens, até pelas dificuldades em se exprimir que às vezes confessa, apesar de nunca fazer correcções. Mas agora descobrimos uma síntese sobre esse estilo, escrita já há mais de vinte anos e que se encontra num dos volumes do Summarium. É ela que a seguir se apresenta (apesar de esta página não ser o lugar mais próprio para isso). Deve ser obra conjunta do P.es Luigi Fiora e Humberto Pasquale.

 
A Serva de Deus frequentou a escola primária durante poucos meses, sem fazer qualquer exame. Depois, já adolescente e com a ajuda da irmã e talvez da amiga Sãozinha, professora da freguesia, aprendeu a ler e a escrever, sempre de modo rudimentar. As suas leituras foram escassíssimas, porque lhe faltava tempo e disposição até para ler livros espirituais, como ela mesma confessa. O ambiente familiar era muito modesto e a sua cultura religiosa foi praticamente só aquela que se pode formar na escola do catecismo e na escuta da pregação popular na igreja.
Dados estes precedentes, não se consegue compreender como ela pôde falar tão profundamente das mais altas verdades da fé cristã, da Trindade e da sua habitação em nós, da obra da redenção e da nossa participação nela através da dor, da nossa identificação com Cristo e da Eucaristia, do sentido do pecado e do amor de Deus, etc., etc.
Os censores não puderam assinalar nenhum erro e nenhuma incerteza doutrinal sobre estes temas delicados e difíceis: só pensando na escola divina de Jesus e do Espírito Santo se pode dar uma explicação ao conteúdo dos Escritos. Reenviamos por isso aos dois Censores Teólogos de ofício para o seu autorizado juízo.
A nós interessa-nos assinalar mais humildes elementos sobre o modo de escrever da Alexandrina. Antes de mais admira a simplicidade, associada admiravelmente à humildade, com que ela escreve ou dita a sua experiência religiosa. As palavras jorram com imediatez da fonte límpida da sua alma; elas desfilam em modo linear no discurso sem alguma complicação que ressinta afectação; não se adverte qualquer recordação de formação cultural precedente. É ela que se confessa com candor, como se sente. Sabe-se que os seus manuscritos não têm nenhuma correcção: e isto é sinal de inteligência lucidíssima, de íntima participação em quanto escreve, de segurança e decisão de carácter: o que ela sente encontra imediatamente a sua expressão autêntica e plena, sem hesitação e sem reflexão. Parece coisa impossível numa analfabeta.
Uma coisa natural nas cartas dirigidas tanto ao P.e Pinho como ao P.e Pasquale é o facto de Alexandrina fazer a sua exposição de consciência e referir as palavras que escutou de Jesus, mesmo em êxtase, mas ao mesmo tempo, e com genuína naturalidade, dar tantas informações de vida quotidiana corrente; sobre a sua saúde e sobre as dos familiares, sobre o correio, sobre as visitas, sobre os exames médicos, etc. Quanto há de espiritualmente alto na Alexandrina é inserido num quadro de realidade viva e diária. E isto e sinal de autenticidade e de credibilidade para tudo o que a Serva de Deus escreve ou dita.
As imagens de que ela se serve para exprimir o seu pensamento revelam uma fantasia vivíssima: parecem inexauríveis na sua riqueza e variedade; são vivazes, delicadas, com clareza de expressão, originais e perfeitamente clarificadoras do pensamento. A gente pergunta como pôde elaborar todo este material no seu quartinho fechado e escuro. Se prescindirmos de quanto lhe podia ser inspirado do Alto, a sua fantasia devia ser mobilíssima a construir com imagens a realidade externa que lhe era negado viver.
Quando o tema se alarga na descrição ampla duma cena, a fantasia da Alexandrina não se perde; sabe assumir um tom altamente poético, trate-se da descrição de um presságio ou duma festiva coreografia ou duma dramática e tempestuosa visão infernal.
O sentimento acompanha sempre com muita intensidade as suas descrições: sabe exprimir o amor em todos os seus cambiantes, dos mais afectuosos aos mais apaixonados, do horror ao mal à exortação eficacíssima para o bem, da dor angustiosa à alegria inebriante. Não conhece o que é esbatido e confuso, mas o sentimento tem sempre um tom seguro e preciso; adverte-se que é sentido com intensidade e expresso com imediatez.
Nos Escritos da Alexandrina há todas as características do estilo místico: repetições contínuas, contrastes fortes de sentimentos e de imagens novas e fora da nossa experiência ordinária, mensagens misteriosas, inapreensível variar entre o divino e humano, acentuação de tons e de cores; mas o conjunto é lógico e sólido, bem construído com uma coerência íntima, dominado pelo único grande tema da sua missão, que é a de confortar Jesus e a salvação às almas.
Deve-se dizer que a leitura prolongada dos Escritos não está isenta duma certa fadiga por uma grande e quase arrepiante insistência sobre o tema da própria dor física e moral; pela descrição repetida da Paixão do Senhor em todos os seus momentos: o que é edificante, mas deixa menos caminho para a reflexão sobre outros muitos aspectos confortantes e exaltantes da vida do Senhor a que estamos habituados; pelo mundo místico que é sempre distante da nossa experiência quotidiana e também da nossa ordinária sensibilidade. Não é fácil entrar no mundo da Alexandrina e achar-se aí inserido.
Não obstante isto, a leitura, exactamente pela humildade e sinceridade que inspiram os Escritos, pelo ideal da heróica doação a Deus que brota na vida da Alexandrina e se comunica a nós, pelo fascínio que vem da espontaneidade, da riqueza e do variar das incessantes descrições é sempre estimulante e enriquecedora. Nós falamos, digo falamos, de Deus e do seu amor, do pecado e da penitência, das realidades religiosas da nossa vida: lendo os Escritos da Alexandrina sentimos que, destas realidades, ela vive.
Publicado por Alexandrina de Balasar às 15:53

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Domingo, 10 de Janeiro de 2010

CONGRESSO SACERDOTAL

Um congresso sacerdotal, Congresso Internacional sobre o Presbítero “A Escuta da Palavra”, vai ter lugar em Braga entre os dias 12 e 15 de Janeiro. Consulte-se a página oficial do evento.

Publicado por Alexandrina de Balasar às 23:26

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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010

SÓ PELA MÃE DE DEUS O MUNDO PODERÁ SER SALVO

Há um pormenor relativo à Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria que merece alguma reflexão. No primeiro pedido, Jesus disse com toda a clareza que pretendia que essa consagração fosse anual:


"Manda dizer ao teu Pai espiritual que, em prova do amor que dedicas à minha Mãe Santíssima, quero que seja feito todos os anos um acto de consagração do mundo inteiro num dos dias das suas festas escolhido por ti – ou Assunção, ou Purificação, ou Anunciação – pedindo a esta Virgem sem mancha de pecado que envergonhe e confunda os impuros, para que eles arrecuem caminho e não Me ofendam.
Assim como pedi a Santa Margarida Maria para ser o mundo consagrado ao meu Divino Coração, assim o peço a ti para que seja consagrado a Ela com uma festa solene" (30 de Julho de 1935).

Na carta que no ano seguinte o P.e Mariano Pinho enviou para o Cardeal Pacelli não mencionou esse pormenor. Reduziu a mensagem a isto: “Quero que o mundo inteiro seja consagrado à Minha Mãe pelo Sumo Pontífice” (volo ut mundus totus a Summo Pontifice Matri Meae consecretur).
Não seria conveniente, neste difícil momento que a Igreja atravessa, repensar o pedido original de Jesus?
A consagração de 1942 foi tão eficaz…
 
“Eu que quero a consagração do mundo à minha Imaculada Mãe. Mas quero que todo o mundo saiba a razão por que Lhe é consagrado. Eu quero que se faça penitência e oração. (…)
Só por Ela poderá (o mundo) ser salvo. E se ele fizer penitência e se converter! Ela é a minha Rainha, a Rainha do Céu e da terra” (25 de Abril de 1938).
Publicado por Alexandrina de Balasar às 22:32

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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

A HOMOSSEXUALIDADE OU SODOMIA

Como o tema tem a maior actualidade, coloquei em linha um texto que espero ler amanhã numa rádio poveira sobre a homossexualidade ou sodomia. Pode-se ver aqui.

Veja-se também este artigo de Silva Araújo.

Publicado por Alexandrina de Balasar às 08:40

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Sexta-feira, 1 de Janeiro de 2010

DECRETO DAS VIRTUDES HERÓICAS

O Decreto das Virtudes Heróicas já está em linha. Já devia estar há muito - ele data de 1996 - mas estas coisas acontecem. É este reconhecimento oficial que abre as portas à beatificação e à canonização dum servo de Deus.

Publicado por Alexandrina de Balasar às 22:36

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