RASGA MEUS VERSOS…
Hoje a Literatura é para muitos, parece, uma espécie de substituto da Religião. Os escritores tornaram-se como que os santos desta nova idolatria; para a canonização basta conseguirem algum sucesso. Não importa a que preço moral, porque as pessoas já se habituaram a prescindir disso – que é o fundamental, até para uma arte digna desse nome.
O meu apreço por Bocage nunca foi muito grande, mas, naquele soneto que ele só ditou por já o não poder escrever e que começa «Já Bocage não sou…», faz um apelo à juventude que muitos leitores e escritores deviam ouvir hoje com atenção: «Rasga meus versos, crê a eternidade!»
A gente imagina que ele estivesse a pensar nos seus escritos mais obscenos, mas há por aí muita página e muito espectáculo de mau gosto, indigno de vir ao público.
Para tudo isso, vale o apelo: «rasga», não leias, que, se ninguém o ler, a moda passa!
Veja-se o soneto de Bocage:
Já Bocage não sou, à cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento.
Eu aos céus ultrajei, o meu tormento
Leve torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa, tivera algum merecimento
Se um raio da razão seguisse pura!
Eu me arrependo: língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade
Que atrás do som fantástico corria:
Outro Aretino fui!... A santidade
Manchei!... Oh, se me creste, gente impia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!
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