Desviar esta página dos temas directamente respeitantes à Alexandrina é coisa que não me agrada muito. Mas ela mesma teve uma intervenção variada ao tempo da sua «vida pública». Por isso, o que vou fazer agora não estará assim distante do que seriam hoje as suas preocupações.
Ultimamente ataca-se a Igreja dos mais variados modos. Há poucos dias lia-se num jornal que ela era responsável por «milhões» de mortes provocadas pela Inquisição. Isto não é certamente verdade.
Cá em Portugal, à conta da Inquisição, morreram entre 1500 e 1550 pessoas, em três séculos. Na Espanha, creio que foram algumas – poucas – dezenas de milhar. Indo por outros países adiante e continuando a somar, dificilmente se chegará às 100.000. Eu penso mesmo que se fica longe. E ainda mais longe dos tais «milhões».
Mas uma coisa que não está certa é que estas acusações pouco verdadeiras venham com frequência da Esquerda. Ora os partidos comunistas, esses foram mesmo responsáveis pela morte de muitos milhões de pessoas, recentemente, em apenas algumas dezenas de anos…
E lá mais para trás, nos tempos finais da Inquisição, quantas pessoas não matou o Marquês de Pombal? E ninguém o acusa…
Como anda o sentido da justiça!...
No princípio do séc. XVI, houve uma vez em Lisboa, em tempo de Páscoa, uma chacina popular de judeus; foram mortos mais do que os tais 1500 ou 1550 da conta acima. E a Inquisição, ao exigir processos judiciais, também veio para pôr cobro a essa barbárie popular...
Caro amigo José Ferreira,
Não quero de maneira nenhuma deixá-lo "só" nestas andadas em que é preciso mostrar e demonstrar a nossa fé perante ataques vindos de pseudo-historiadores que acomodam a História aos desejos pessoais ou aos desejos dos partidos que defendem.
Não pense tão pouco que a Beata Alexandrina estaria contra uma tal atitude da sua parte: para ela só a verdade contava; por isso mesmo, sempre que obre em prol da verdade, sempre estará de acordo com o pensamento da nossa querida Alexandrina.
Eu chamo esses "senhores" historiadores de pacotilha, ignorantes voluntários da verdadeira história, aquela que se escreve com um “H” maiúsculo.
Eu pensei que já não existissem comunistas, porque depois da queda do muro de Berlim, esses "senhores", perderam a que se agarrar... Depois do muro de Berlim, foi o desmoronamento do “Império” soviético e a volta dos povos submetidos pelos comunistas à liberdade, mesmo se esta nem sempre é bem utilizada... Mas não, vejo que em Portugal ainda estão alguns esquecidos das aulas de Estaline e Lenine, os algozes sobre a consciência dos quais pesam milhões de vítimas, vítimas estas bem mais numerosas do que aquelas da Inquisição.
Mas, quem acusam eles? A Igreja, o Papa, os cristãos em geral?
Então, poderiam também reconstruir a nossa História e acusar Dom Afonso Henriques de ter batalhado os muçulmanos ; Dom Nuno Alvares Pereira de ter destroçado os espanhóis em Aljubarrota ; Vasco da Gama por ter conquistado as possessões na Índia ; Afonso de Albuquerque de ter sido o autor de grandes carnificinas na mesma Índia, etc., etc.
Esses “senhores” são o tal género de cegos de que muitas vezes tenho falado : os piores, porque, aconteça o que acontecer, eles têm olheiras e nada querem ver ; têm “ouvidos de mercador”, pois só ouvem aquilo que lhes convém, pondo de lado o que porventura os pudesse condenar ; são “mortos-vivos” que procuram ressuscitar o passado, crendo que este os ajudará a viver no presente... mas Karl Marx morreu, assim como todos os outros do “manifesto comunista” e deles, pouco ou nada subsiste, a não ser a memória das barbaridades que cometeram.
Perdoe, caro amigo, se com a minha intervenção vou acender um fogo que talvez fosse melhor apagar, mas eu não posso calar-me quando vejo ou sei que “cegos” tentam de conduzir aqueles que vêem bem.
Conte comigo.
Afonso Rocha
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